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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Tempo da Acção em "Felizmente Há Luar!"

  • Grande concentração do tempo.
  • Acto I – a acção decorre em dois dias.
  • Acto II – a acção decorre em cinco meses.

Tempo da Escrita em "Felizmente Há Luar"

  • Início da guerra colonial em Angola (1961);
  • Múltiplos afloramentos de contestação internam (greves, movimentos estudantis);
  • Pequenos «golpes palacianos» prenunciadores de clivagens internas, no seio do próprio poder;
  • Os “bufos”, apesar de disfarçados, colhiam informações e denunciavam; a censura e severas medidas de repressão e tortura, condenando-se até sem provas.
  • Crescente aparecimento de movimentos de opinião organizados, a par da oposição política que, embora reprimida, fazia sentir a sua voz, nomeadamente na existência de eleições livres e democráticas;

Elementos simbólicos

 


 





 


Saia verde: A saia encontra-se associada à felicidade e foi comprada numa terra de liberdade: Paris, no Inverno, com o dinheiro da venda de duas medalhas. A saia é uma peça eminentemente feminina e o verde encontra-se destinado à esperança de que um dia se reponha a justiça. Sinal do amor verdadeiro e transformador, pois Matilde, vencendo aparentemente a dor e revolta iniciais, comunica aos outros esperança através desta simples peça de vestuário. O verde é a cor predominante na natureza e dos campos na Primavera, associando-se à força, à fertilidade e à esperança.

A luz: Como metáfora do conhecimento dos valores do futuro (igualdade, fraternidade e liberdade), que possibilita o progresso do mundo, vencendo a escuridão da noite (opressão, falta de liberdade e de esclarecimento), advém quer da fogueira quer do luar. Ambas são a certeza de que o bem e a justiça triunfarão, não obstante todo o sofrimento inerente a eles. Se a luz se encontra associada à vida, à saúde e à felicidade, a noite e as trevas relacionam-se com o mal, a infelicidade, o castigo, a perdição e a morte. A luz representa a esperança num momento trágico.
 


Noite: Mal, castigo, morte, símbolo do obscurantismo
 
 

Fogo: é um elemento destruidor e ao mesmo tempo purificador e regenerador, sendo a purificação pela água complementada pela do fogo. Se no presente a fogueira se relaciona com a tristeza e escuridão, no futuro relacionar-se-á com esperança e liberdade.
 

Espaço e tempo


Espaço
  • A mutação de espaço físico é sugerida essencialmente pelos efeitos de luz. O espaço cénico é pobre, reduz-se a alguns objectos que têm a função de ilustrar o espaço social. Esta simplicidade parece ser intencional e mais importante que os cenários são a intensidade do drama que é realçada por esta economia de meios.
Tempo
  • Crise generalizada a todos os níveis: político, militar, económico e ideológico.
  • Ausência do Rei no Brasil;
  • Junta governativa/falta de identidade nacional;
  • Permanência de oficiais ingleses nos postos do exército português;
  • Clima de recessão económica e de instabilidade social decorrente das invasões francesas (1807, 1809, 1810);
  • Crise económica devido à independência económica do Brasil;
  • Miséria e ruína agrícola, comercial e industrial;
  • Perseguições políticas constantes reprimindo a liberdade de expressão, a circulação de ideias e qualquer tentativa de implantação do liberalismo;
  • Rodeados de delatores que se vendiam a baixo preço, os governadores do reino procuravam nomes de conspiradores. Não interessava quem era acusado e tão pouco importava a inocência ou a culpa de cada um. A necessidade de manter a ordem, de evitar a rebelião era superior à justiça dos atos.
  • Grande poder e corrupção da Igreja, ideia da origem divina dos reis;
  • Gérmenes do movimento liberal.
 

caracterização das personagens


Beresford: personagem cínica e controversa.

Principal Sousa:para além da hipocrisia e da falta de valores éticos que esta personagem transmite, simboliza também o conluio entre a igreja, enquanto instituição, e o poder e a demissão da primeira em relação à denúncia das verdadeiras injustiças.

D. Miguel: pequeno tirano, inseguro e prepotente, avesso ao progresso, insensível à injustiça e à miséria.

Gomes Freire: homem instruído, letrado, um militar que sempre lutou em prol da honestidade e da justiça.

Frei Diogo: homem sério; representante do clero;

Estrutura interna e estrutura externa de felizmente há luar

Estrutura Externa -
  • No Acto I é feita a apresentação da situação, mostrando-se o modo maquiavélico como o poder funciona, não olha a meios para atingir os seus objectivos, enquanto que no Acto II conduz o espectador ao campo do antipoder e da resistência.
  • Não apresenta qualquer divisão em cenas. Estas são sugeridas pela entrada e saída de personagem e pela luz.
Estrutura Interna  - 
  • Não se trata de uma obra que respeite a forma clássica nem obdeça à regra das três unidades
  • A apresentação dos acontecimentos processa-se pela ordem natural e linear em que ocorrem, facilitando assim a sua compreensão.
 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Teatro épico

O teatro épico é um teatro didáctico que procura uma distanciação entre a personagem e o espectador para que este seja obrigado a reflectir sobre o texto!
Este conceito é apontado pelo poeta e dramaturgo alemão Bretolt Brecht por volta de 1926, que se opõe ao teatro clássico e tradicional um teatro narrativo que em vez de suscitar emoções e sentimentos desperta uma atitude crítica.
O teatro épico, proposto por "Brecht", contrapõe-se à tragédia clássica para melhor conseguir o efeito social.
Enquanto o teatro clássico conduz o público à ilusão e à emoção, levando-o a confundir o que é a arte do espectador no julgamento da sociedade.