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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Personagens em "Memorial do Convento"



Rei D.João V

  • Rico e poderoso - não sabe o que fazer com tanta riqueza
  • Rei vaidoso, egocêntrico, megalômano e libertino
  • Arrogante
  • É ridicularizado pelo narrador que recorre à caricatura e ao tom irônico na sua descrição






Baltazar
  • Homem do povo nascido em Mafra
  • Não tem a mão esquerda
  • Tem a alcunha de Sete Sóis
  • Apaixonado por Blimunda
  • Sonhador, constrói a Passarola
  • Morre queimado num auto-de fé
Blimunda
  • Tem uma sabedoria muito própria, é inteligente
  • Mulher misteriosa, fiel, intuitiva e inabalável no amor
  • Possui o dom da vidência, vê o interior dos corpos
  • Tem a alcunha de Sete Luas




Padre Bartolomeu de Gusmão
  • Sonhador, visionário e culto
  • Capelão na corte e amigo de D. João V
  • Nascido no Brasil
  • Possui uma visão muito própria da religião pois:
    1. abençoa a relação de Baltazar e Blimunda;
    2. aceita o dom de Blimunda;
    3. é muito ligado à ciência;
        • Possui um espírito cientifico que o vai afastando da igreja progressivamente
        • O seu conhecimento e estudos levam-no a interrogar-se acerca dos dogmas católicos
        • Tem medo da Inquisição pois está consciente de que fez coisas condenadas pelo Santo Oficio como, a construção da Passarola
        • Morre louco em Toledo

        Domenico Scarlatti

        • Músico italiano, nascido em Nápoles
        • Talentoso, culto e sonhador
        • professor de D. Maria Barbara
        • Trava amizade com o Padre Bartolomeu na corte do rei
        • Tem conhecimento da existência da passarola e interessa-se pelo engenho
        • A sua música possui um poder curativo e inebriante





        O povo
        • Populares anônimos, analfabetos e oprimidos
        • Trabalhadores humildes
        • Sacrificados e sujeitos à exploração dos poderosos
        • Elevados a herói pelo narrador

        Elementos Simbólicos em "Memorial do Convento"

        Passarola: é tanto o símbolo da concretização do sonho, representando assim também a libertação do espírito e a passagem a outro estado de consciência, uma vez que que esta é igualmente um símbolo da ligação do céu e da terra, pois ousa sair do domínio dos homens e entrar no domínio de Deus;


        Sol: representa a força e a própria vida, fazendo correspondes Sete-Sóis a Sete Vidas, transformando deste modo a personagem de Baltasar como representante de todo o povo.



        Lua: Tradicionalmente a Lua simboliza, por não ter luz própria, o princípio passivo do sol. No entanto, a obra revoluciona o conceito da Lua ao dar a Blimunda capacidades sobrenaturais que dependem das fases da lua, tornando a tão relevante como o sol.


        Sol e Lua: simboliza a união como um todo, porque são o verso e o reverso da mesma realidade, o dia;



        Vontade: as vontades recolhidas, utilizadas como combustível para a passarola voar, representa que, aliadas com a ciência e arte, o querer do homem faz avançar o mundo;

        Trindade terrena: constituída pelo padre Bartolomeu, o pai, por Baltasar, o filho, e por Blimunda, o espírito. Esta simboliza a harmonia perfeita; Uma vez que esta é terrena, está aberta a um quarto elemento, Domenico Scarlatti, dado que quatro é o número da terra;

        Mãe de pedra: o transporte desta grande pedra de mármore de Pêro Pinheiro a Mafra é uma epopeia, uma vez que esta acção é descrita com "grandeza" clássica e é vista como um acto heróico dos operários, que tem que transportar uma pedra gigantesca, num carro especialmente concebido para o seu transporte, este comparado a uma nau da Índia, e com a ajuda de duzentas juntas de bois. Os seiscentos homens que a puxam.



        Linguagem e Estilo de José Saramago em "Memorial do Convento"


        São utilizadas numerosas figuras de estilo como metáforas, comparações, antíteses, hipérboles, etc. Mas destaca-se a ironia através da qual o narrador faz críticas sobretudo ao rei e ao clero. Há também ironia nas discrições do auto-de-fé ou das procissões. Os registos de língua utilizados variam entre a linguagem cuidada, complexa, literária e a linguagem familiar e até popular (adequada as personagens do povo).

        As frases são extensas, próximas do discurso oral ou traduzindo o interior das personagens.

        Há muitas enumerações, polissíndetos e paralelismos.

        A pontuação e o aspecto mais invulgar na obra de Saramago. São apenas utilizadas o ponto final e a vírgula. Não a pontos de interrogação, nem de exclamação e os diálogos não são assinalados com dois pontos e travessão.

        A pontuação (ou a sua ausência) é um dos contributos mais importantes para a originalidade da obra.


        Narrativa em "Memorial do Convento"


        Tratando-se de uma obra ficcional, esta encontra-se fora do tempo e do espaço. E o anacronismo do discurso do narrador permite-lhe revisitar o passado e recuperar vidas que a História esqueceu.

        A atitude narratológica assumida no romance coloca dificuldades de classificação, principalmente porque a instância narrativa não é una, subdividindo-se em outras de menor importância, manipuladas pelo narrador principal.

        O narrador revela-se quase sempre omnisciente e assume a posição heterodiegética; mas este estatuto não serve as intenções do autor. Por isso este vai servir-se de outros processos ligados à narração, chegando a criar instruções discursivas para os seus comentários, ironias e divagações; empréstimos do estatuto de narrador a outras personagens da história.



        A riqueza e versatilidade deste(s) narrador(es) passam pela adopção de estratégias que visam:

        a) Representar-se como narrador-orador capaz de simular um imediatismo no acto de narrar e dando lugar a dialogismos mais ou menos configurados no discurso;

        b) Captar a atenção do narratário – convocado para o discurso, tanto por uma pluralidade ambígua (nós) como por um indefinido (“Veja-se”) – que se pretende participante no acto de contar;

        c) Gerir a informação a contar, relevando a ficção face à história, o plano humano face ao da realeza (a omnisciência implica, também, selecção e interpretação);

        d) Reflectir sobre o narrado e simular o processo de narração homologicamente ao processo de reflexão escrita;

        e) Solicitar um leitor activo no processo de leitura da obra.



        D. João V (Memorial do Convento)

        Historicamente, Rei de Portugal desde 1 de janeiro de 1707, D.João V (1689 -1754), filho de D.Pedro II e de Maria Sofia de Neuburgo.
        Ganhando nessa altura o cognome de Magnânimo devido à promoção de obras grandiosas como o Convento de Mafra.
        Casou em 1708 com D. Maria Ana da Áustria, de quem tem sei filhos.

        Em Memorial do Convento, José Saramago caracteriza-o como megalômano, infantil, devasso, libertino e ignorante.
        O rei com "medo de morrer" decide a sagração da basílica de Mafra para o dia do seu aniversário.

        quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

        D. João V (Perspectiva Histórica)

        D. João V nasceu em Lisboa a 22 de Outubro de 1689 e morreu a 31 de Julho de 1750.
        O seu nome era João Francisco António José Bento Bernardo de Bragança e foi rei desde 1707 até morrer.
        O seus pais eram D. Pedro II e D.Maria sofia de Neuborg.
        Casou-se a 9 de Junho de 1708 com D. Maria Ana de Áustria que viria a falecer em 1754 no Palácio de Belém.
        Ele recebeu os cognomes de "o Magnifico".

        Inquisição em Portugal

        O Tribunal eclesiástico, estabelecido em 1233, cuja função era examinar e averiguar os acusados de heresia, por forma a que sendo culpados a autoridade civil lhes pudesse aplicar o castigo devido.
        A sentença era pronunciada dura o auto de fé.

        Os julgamentos eram realizados em segredo, sob tortura, e as penas infligidas variavam, desde multas, até à morte pelo fogo, passando pelo açoitamento e prisão.

        As leis mais severas, como a pena de morte, Maniqueus, aos Donatistas e, por extensão, aos Cátaros e aos Albigenses.




        segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

        biografia e bibliografia de José Saramago

        José de Sousa Saramago nasceu a 16/11/1992, em Azinhaga, aldeia ao sul de Portugal, numa família de camponeses,
        E morreu a 18/06/2010
        iniciou a sua atividade literária em 1947, com o romance "Terra do Pecado", só voltando a publicar em 1966.
        Actuou como crítico literário em revistas trabalhou no Diário de Lisboa.
        Em 1975, tornou-se director adjunto do Jonal Diário de Notícias.
        Em 1980, alcança notoriedade com o livro "Levantado do Chão", visto hoje como o seu primeiro grande romance.
        Memorial do Convento confirmaria esse sucesso dois anos depois.
        Em 1991, publica "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" livro censurado pelo governo português - o que leva o Saramago a exilar-se em Lanzarote, nas ilhas Canárias (Espanha), onde viveu até a morte. Foi ele o primeiro autor de língua portuguesa a receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1998.
        Escreveu também, "O Ano da Morte de Ricardo Reis" (1984), "A Jangada de Pedra" (1986), "Ensaio sobre a Cegueira" (1995), "Todos os Nomes" (1997), "O Homem Duplicado" (2002), "In Nomine Dei" (1993) e os dois volumes de diários recolhidos nos "Cadernos de Lanzarote" (1994-7)

        quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

        Personalidades historicas - Tempo da História

        Marechal Beresford:
        • Beresford frequentou a academia militar de Estrasburgo e em Agosto de 1785 foi aceite como cadete no 6º Regimento de Infantaria. Em 1793 era capitão, servindo com a Frota britânica do Mediterrâneo, tendo-se notabilizado na ocupação da Córsega. Em 1794 era tenente-coronel, servindo na Índia a partir de 1799. Em 1801 participou na campanha do Egito, comandando o seu regimento que pertencia ao contingente enviado da Índia.
        • Em 1806, participou, com o posto de Brigadeiro, na captura do Cabo da Boa Esperança, e mais tarde, em 27 de Julho, ocupou a cidade de Buenos Aires. O levantamento da população da colónia espanhola em Agosto obrigou-o à capitulação, tendo sido feito prisioneiro. Conseguiu fugir seis meses mais tarde, regressando a Inglaterra. Em finais de 1807, devido à invasão de Portugal pelo exército de Junot, ocupou a ilha da Madeira, sendo promovido a Major-General em Abril de 1808. Foi transferido para o exército que desembarcou em Portugal em Agosto desse ano, chegando a Lisboa, já liberta da ocupação francesa, em Setembro. Mais tarde, comandou uma Brigada do Exército britânico que, sob o comando de John Moore, foi enviado para Espanha, tendo participado na Batalha da Corunha.
        • Escolhido pelo governo britânico para comandar o Exército português, é-lhe atribuído o posto de Marechal do Exército. A sua missão, ao contrário do que se afirma, não foi tanto a de reorganizar o exército, mas sim a de compatibilizar a organização e a tática existentes no exército português com a britânica, permitindo uma atuação conjunta no campo de batalha. É mais tarde que os seus poderes serão alargados, por meio da Carta Régia de 18. , que lhe permitirá propor mudanças na estrutura do exército, assim como das Milícias e das Ordenanças, sem que estas tenham de passar pelo Conselho de Regência, e pelo crivo de D. Miguel Pereira Forjaz.
        • General com poucas qualidades para o comando em campanha, as suas falhas neste aspecto são conhecidas, sobretudo o seu incompetente posicionamento das forças aliadas na preparação da Batalha de Albuera em 1811; batalha que ganhou devido à iniciativa individual dos seus subordinados. Mas já durante a campanha de 1809 contra Soult tinha mostrado dificuldade em tirar partido de uma situação favorável, ao não apoiar convenientemente o general Silveira, na luta que este travava contra o exército de Soult em retirada. Depois de Albuera, nunca mais terá um comando independente, só voltando a dirigir tropas em 1814, durante a invasão do sul de França, mas sempre sob o comando direto e preocupado de Wellington.
        • Com o fim da guerra em 1814 mantêm-se no comando do Exército português. Devido ao regresso de Napoleão a França em 1815, tenta organizar uma força expedicionária para se reunir ao exército britânico nos Países Baixos, que se preparava para invadir a França, não conseguindo os seus intentos devido à oposição da Regência. Viaja para o Brasil onde consegue do Rei poderes mais alargados, sendo feito Marechal-General. Devido à Revolução de 1820, é demitido das suas funções, não lhe sendo permitido desembarcar em Portugal, quando chegou a Lisboa em Outubro vindo do Brasil.
        • Regressou a Portugal em 1826, mas a sua pretensão de regressar ao comando do Exército não foi aceite.  Foi membro do primeiro governo de Wellington, de 1828 a 1830, com um título equivalente em Portugal ao posto militar de Diretor do Arsenal.